Hoje pela manhã, a caminho do trabalho, finalizei um livro. O assunto tem tudo a ver com o que venho buscando ao longo desses anos, acreditando que é possível identificar os perfis de amor existentes. A leitura não só me causou interesse, mas trouxe a tona sentimentos e lembranças tão profundas que me motivou a escrever esse novo texto.
Como minha natureza apaixonada me motiva a me inspirar sempre em alguém que tenha tocado o meu coração, senti que seria a hora de dizer algo sobre um homem que influenciou ser o que sou hoje, me transbordando de amor, meu Pai.
Ao remontar as cenas da minha infância, fica claro para mim que minha primeira linguagem do amor, o “ato físico”, foi alimentada pelo enorme coração de meu pai. Ele, com seu jeito inteligente e divertido de ser foi o modelo de homem que eu cristalizei na minha mente. Os pais têm esse poder, você não acha?
A melhor forma de falar dele é compartilhar com você o que minha mãe me conta e que, acredito existir também em meu subconsciente. Sou primeira filha e como tal, muitas expectativas geram nos pais. Mamãe disse uma vez que quando se casaram eram muito jovens e papai ainda estava na faculdade. Apesar de toda dedicação aos estudos e ao trabalho, meu pai não hesitava em me ver. Ele me acordava de madrugada para me carregar no colo e conversar comigo.... eu era apenas um bebê.
É, os pais não têm ideia do que esses pequenos gestos de amor fazem com a gente....
Eu cresci e juntamente com minhas irmãs, tivemos a presença de papai em momentos mais inusitados. Eu era tão agarrada com ele que fazia coisas que até hoje são motivo de comentário em família. Por exemplo, eu me lembro de chorar compulsivamente quando ele tinha que viajar. Era incrível como eu queria estar com ele o tempo todo.
Papai é um homem íntegro e me ensinou coisas muito além dos livros e dos cursos que fiz ao longo da minha vida. Minha formação se espelhou e ainda se espelha nele; na forma de troca, como se eu pudesse oferecer tudo o que me deu.
Ainda na meninice, lembro-me que quando ele chegava em casa afagava os meus cabelos, puxando a minha franja para trás. Era uma forma de dizer: - tudo bem filhota?..ahhh....eu adorava os seus carinhos. Ele não era só carinhoso, mas muito divertido. Confesso, ele também sabia ser sério quando queria.
Era comum ele, eu e minhas irmãs ensaiarmos na sala a “dança do boló-boló”, uma espécie de maluquice em família. Mamãe se divertia ao ver nossa apresentação. A única coisa que me lembro que mamãe não gostava era quando ele brincava de soltar “pum”....kkkk, Ela dizia que era uma das coisas que definitivamente não se ensina para meninas...mas, vindo do meu pai..tudo era divertido demais.
Cresci, crescemos....
Aos 10 anos fui estudar piano porque ele amava esse instrumento (fiz só um ano de aula). Na verdade o gosto de meu pai para a música é algo raro entre os homens. Eu cresci com uma variedade de músicas que de certa forma só me fizeram bem. Ele amava, e ainda ama, música erudita. Mas aprecia sonoridades que vão de Hermeto Pascoal a Belchior. Me lembro também da mamãe dançando conosco música árabe e ainda as festinhas deles ouvindo e tocando Roberto Carlos.
Além da forma carinhosa de se expressar, brincando de dançar comigo e com minhas irmãs, papai tinha um hábito muito engraçado. Ele pedia para pisarmos nos seus pés, segurarmos em suas mãos para caminharmos pela casa...era muito divertido. Você já fez isso alguma vez? Hum...se ainda não, experimente você vai se sentir protegida, acariciada e muito amada. Se não tiver mais a presença de seu querido pai, experimente a versão namorado, marido ou mesmo filhos, caso eles sejam já maiores que você.
Adolescente, me lembro que eu estava conversando com um amigo perto de casa quando papai nos viu. Foi a primeira vez que senti que meu pai teve ciúmes de mim. Na época não conseguia identificar se era isso ou um cuidado que todo pai deve ter por suas filhas. Só sei que não cogitei. Disse tchau para meu amigo e saí correndo para casa...sempre fui obediente. Era uma espécie de medo e respeito que sentia por ele. Mais tarde esse sentimento se transformou em profundo amor. Apesar de eu sentir um arrepio na espinha quando ele falava alto em casa, eu o respeitava e queria sempre agradá-lo.
A esse respeito, um dos episódios que me lembro foi quando ele perguntou para a mamãe onde estava a tesoura....antes mesmo que ele abrisse as gavetas eu já estava com ela nas mãos. Vejo isso como uma forma de agradá-lo, ou seja, eu não queria que ele se aborrecesse ao tentar procurar a tesoura e não encontrá-la.....sabe como os homens são para tentar encontrar algo em gavetas, né?
Aos 15 anos ganhei uma das coisas mais preciosas da minha vida. Uma festa de debutante. Lembro-me de que papai perguntou: -filha, você quer uma festa ou uma viagem? Considerando que viagem a gente pode programar quando quiser, escolhi uma festa, pois 15 anos só se faz uma vez. Foi ótimo....ele e mamãe estavam muito felizes.
Os anos se passaram e as situações difíceis apareceram. Superamos. Virei mulher, ou quase isso, e meu pai estava comigo na igreja me levando ao altar. Hoje imagino o que sentiu, juntamente com mamãe, ao ver sua primeira filha casando-se aos 17 anos. Bom, sobre isso não preciso entrar em detalhes, mas prometo compartilhar num futuro post.
Papai é um engenheiro formidável, como disse anteriormente, sua integridade foi modelo para eu me espelhar...e aí entra uma outra parte da minha vida. Meus estudos, minha profissão, dedicação como mãe e, filha de Cristo.
Foi ele que trouxe para a nossa família a compreensão da palavra de Deus e uma nova forma de viver. Chamo-o de o Abraão da família Carvalho, pois sua coragem e aprendizagem sobre Deus completou o que faltava entre nós.
O que quero dizer com esse pequeno texto da minha relação com o meu pai é, procure estabelecer uma intimidade com o nosso Pai, o nosso Deus. É Ele a verdadeira fonte de vida, de esperança, de amor, de propósito.
Eu achava que minha vida estava completa, boa e recheada de memórias emocionais positivas, mas....Deus fez meu “tanque do amor” transbordar....deixe Ele encher o seu.
Aprendi esse conceito de “tanque do amor” no livro que finalizei hoje pela manhã....aliás, recomendo para todos aqueles que desejam compreender as linguagens do amor. É uma espécie de estudo sobre a forma como seu cônjuge, namorado, filho ou amigo se comunicam. O amor na sua complexidade, na sua essência divina, nas suas linguagens e dialetos.
Através da leitura e das lembranças, descobri que minha primeira linguagem do amor é o “toque físico”. O toque que sentia de papai nos meus cabelos, ao segurar em suas mãos, ao fingir que estava dormindo só para ele me carregar no colo até a cama...
Procure descobrir qual a sua primeira linguagem do amor e seus diversos dialetos. Tenho certeza de que sua comunhão com os que ama, e também os que não ama, vai se transformar.
Hoje, na minha quarta década de vida, procuro abraçar-lo, beijá-lo e dedicar toda a forma de carinho que eu possa expressar, nem que seja sempre dizer apenas: -papi, te amo!
Para quem se interessar pelo livro, anotem:
As cinco linguagens do amor: como expressar um compromisso de amor a seu cônjuge. Gary Chapman.
Supre abraços,
Comentários
Postar um comentário